Nau à Deriva

dez 16

As cartas náuticas, antigamente, denominavam conceitos genéricos para avisar os mais desinformados, apontando lugares em que, provavelmente, haveriam de encontrar algo.
Denominações como “Aqui Há Monstros” ou “Terra Incógnita” podiam frequentemente ser encontradas e as mitologias eram disseminadas por toda a população. Crendices, dogmas, mitos, histórias, lendas, contos… São inúmeras as denominações. Tal conhecimento, ao longo da história, foi se perdendo. São raros os povoados que ainda mantém determinado hábito de contar histórias ou mesmo cultuar as práticas religiosas (na melhor acepção do termo) que a população mantinha.
Com a expansão dos povos para todas as partes do globo, poucas culturas ainda sobrevivem como eram antigamente. Em quase todos os lugares, o “braço invisível” do multiculturalismo se faz presente, ainda que levemente. Alguns lugares, entretanto, mesmo sendo tocados por tal anseio social de inclusão e universalização da cultura. Casos como a Bolívia, por exemplo, nos mostram que é possível manter a identidade cultural sem a influência de questões externas de padrões comportamentais.
Não há mais monstros para se descobrir, apenas a nossa própria identidade cultural, ainda que esta seja desprovida de uma base sólida, seja por influência de padrões comportamentais ou pelo desconhecimento de nossa própria carga hereditária.
Quantos conseguem remontar suas origens? Quantos conseguem citar histórias vividas por seus antecedentes?
Navegamos por mares conhecidos, mas nos esquecemos do porto de partida. Pensamos sempre no amanhã, mas esquecemos que nosso passado pode apontar para um destino totalmente diferente. Seguimos a deriva, sempre na crista da onda, mas não nos importamos em redescobrir a nós mesmos.
Há monstros ainda. Há monstros em nós mesmos, só esperando pelo momento certo de acordar. Há terras incógnitas, e jamais voltaremos para o nosso verdadeiro lar.

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